Fonte: Setor 3

 

“O Amanhã é Hoje” foi lançada na conferência das Nações Unidas sobre o clima, a COP 24, realizada em dezembro do ano passado na Polônia.

Uma agricultora, uma chefe de brigada de incêndio, um comerciante, uma artesã, um produtor de ostras e uma microempresária. Cada um de uma região do Brasil: Santos (SP), Itajaí (SC), Parque Estadual Ilha do Cardoso (SP), Nova Friburgo (RJ), Terra Indígena Krikati (MA), São José do Egito (PE). O que eles têm em comum? São impactados diariamente com ações das mudanças climáticas. Em 23 minutos, o documentário O Amanhã é Hoje possui linguagem acessível e mostra como impacta a vida dessas pessoas, o meio ambiente e a economia: http://www.oamanhaehoje.com.br/

O documentário mostra a jovem indígena que tornou-se brigadista voluntária depois de um incêndio florestal sem precedentes; a pequena agricultora que enfrentou seis anos de seca; a comunidade caiçara centenária obrigada a mudar de território em razão da força do mar; o comerciante que viu seu negócio ser destruído pelas chuvas e deslizamentos que ceifaram centenas de vidas no Rio de Janeiro; o produtor de ostras penalizado pelo aumento da temperatura do mar; a mulher que perdeu dois carros, em uma cidade litorânea, para as ressacas que avançam na costa brasileira.

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Maria José Pereira da Rocha, agricultora de São Egito de PE, sobreviveu seis anos de seca. (crédito da imagem: Fernando Martinho)

 

 

De acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), a temperatura do planeta pode aumentar 1,5° C nos próximos 30 anos. A ONG alemã Germanwatch informou em seu relatório que o Brasil é um dos 18 países que mais perdem dinheiro com as mudanças climáticas. Para falar desse assunto, sete organizações da sociedade civil se uniram para mostrar as histórias de vidas impactadas pelas mudanças climáticas. Foram estas: Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, Artigo 19, Conectas Direitos Humanos, Engajamundo, Greenpeace, Instituto Alana e Instituto Socioambiental.

Além da produção do documentário, especialistas da área também realizaram dois relatórios técnicos, que apontam os riscos iminentes para as pessoas e o planeta. Os artigos são do professor de Economia da Universidade de São Paulo Ricardo Abramovay, do pesquisador Carlos Souza, do Imazon, e do climatologista José Marengo, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Os documentos mostram como o desmatamento, em especial da Amazônia, agrava os impactos do clima na produção agropecuária, no fornecimento de água do país, na emissão de gases de efeito estufa, nos incêndios florestais, entre outros, afetando ainda mais brasileiros.

“O próprio nome do filme fala que o amanhã é hoje. Então, a discussão que temos atualmente ela existe e já está acontecendo. E precisa de algo para reverter agora”, afirma Fabiana Alves, responsável pela campanha de clima e energia da Greenpeace. Ela ainda comenta que as organizações produtoras da iniciativa estudam e atuam no tema já faz algum tempo e decidiram desde julho do ano passado fazer uma produção usando a história de pessoas impactadas diretamente com esse fenômeno.

Segundo Fabiana, a ideia central foi alertar as pessoas sobre o que está acontecendo aqui, não somente no derretimento das calotas polares e países que estão passando por furacões, mas por meio de seca na Amazônia, a diminuição da produção na agricultura. “Nós quisemos mostrar e chamar atenção das pessoas e aproximar essa realidade que também é brasileira. Teremos que mitigar e reduzir essas emissões, por meio de demandas e de novos hábitos”, ressalta.

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Microempresária de Santos (SP), Patrícia Amado, perdeu carro estacionado no prédio após ressaca do mar. (crédito da imagem: Fernando Martinho)

 

A equipe das organizações envolvidas conversaram e levantaram vários personagens. Toda produção foi feita em conjunto e pensar o país com pessoas de diferentes localidades e estilos de vida distintos. “A ideia da mudança climática não tem fronteira, ela atinge a todos. É claro que num país como tem desigualdades vai atingir os mais pobres. De qualquer maneira a população indígena, as pessoas que moram no litoral do Brasil são afetadas por enchentes. Esse perigo é para todos e por todo tipo de governo”.

Fabiana considera que é importante sair da linguagem difícil sobre esse tema. “As mudanças acontecem, não estamos falando do clima que vemos no jornal diariamente. É um aumento de temperatura ao longo dos anos, que está tornando o planeta Terra inabitado”, alerta. A responsável por campanhas de energia e clima do Greenpeace ainda compartilha que IPCC da ONU informa por meio de uma cartilha o que ocorrerá no mundo com aumento de 1,5° C na média da temperatura e é visível que a consequência será catastrófica. “Tentamos mostrar por meio dessas pessoas os números na realidade: quem são e o que estão sofrendo com as secas severas ou quem está passando com as inundações e perdendo vidas? Também estamos falando de perda de patrimônio. São pessoas que estão perdendo na produção. São aqueles que estão lutando contra o fogo. As pessoas já estão sentindo o aumento da temperatura no seu dia a dia”.

Assista aqui e leia os artigos produzidos: https://www.oamanhaehoje.com.br/

 

 

 

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