CONSTRUIR PARCERIAS E ALIANÇAS ESTRATÉGICAS 

 

Por Dr. José Carlos Soares

 

Aqui trataremos das parcerias não no sentido atribuído pela lei 13019/14, que regula as parcerias das OSCs (Organização da Sociedade Civil) com a Administração Pública, mas sim as parcerias voltadas para a execução de ações conjuntas, sejam com outras Organizações, sejam com outros parceiros da iniciativa privada.

Antes mesmo de adentrar ao assunto destaco que para existir a parceria ou a aliança estratégica tem que haver o “ganha-ganha”, tem que ocorrer um equilíbrio, onde as duas partes sejam beneficiadas, caso contrário não haverá parceria e nem aliança duradoura.

As parcerias e as alianças estratégicas:

Parcerias

Observo que o grande temor das Organizações em firmar parcerias com outras Organizações ou até mesmo com empresas é a de perder sua autonomia e sua identidade. No entanto, para que isso não ocorra se deve estabelecer até onde irão os limites de atuação, as responsabilidades e as obrigações de cada um dos parceiros, agindo assim os riscos de perder a autonomia e a identidades se tornam quase nulos.

Na prática vemos parcerias firmadas apenas na execução de um projeto ou de uma ação esporádica, e neste caso as parcerias são as de curta duração.

Por outro lado, quando se encontra um bom parceiro não há motivos para que esta parceria se desfaça, pelo contrário à mesma deve ser cada vez mais fortalecida.

Alianças Estratégicas

Primeiramente vamos entender o que vem a ser uma aliança.

A literatura é consensual em reconhecer que uma aliança ocorre quando duas ou mais organizações decidem conjugar esforços para perseguir um objetivo comum.

O conceito básico de alianças estratégicas, segundo Jordan Lewis, é a cooperação entre organizações em torno de suas necessidades mútuas, compartilhando riscos para alcançar um objetivo comum. Dessa forma, as alianças estratégicas podem proporcionar aos envolvidos maior probabilidade de sucesso diante dos desafios e oportunidades dentro do contexto em que estão inseridos.

As alianças estratégicas em geral visam atuações a longo prazo, busca-se a perenidade e se desenvolve com um planejamento conjunto e participativo. E nesse planejamento se faz necessário saber ouvir e saber falar, e em conjunto analisar os pontos favoráveis e desfavoráveis de cada um, o fundamental é que se construa confiança mútua.

Tão somente a título de exemplo cito algumas situações onde são criados cenários propícios para o surgimento tanto de parcerias quanto de alianças estratégicas, vejamos.

  • Quando para a execução dos objetivos do projeto ou do objetivo social, se tem o conhecimento que a outra parte tem maior expertise no assunto.
  • Quando os recursos são a escassos, a união de forças seja pela aliança ou seja pela parceria certamente trará vantagens de redução de custos, e uma maior eficácia;
  • Quando se conscientizar que a união de saberes e experiências proporcionando um ganho para as partes envolvidas, traduzindo em tomadas de decisões mais assertivas e como melhores resultado.

Destacamos que a construção das parcerias ou das alianças estratégicas exige uma certa renúncia pois se na busca de melhores resultados a sua visão e opinião não forem as eleitas, não se deve alimentar “magoas” ou “ressentimentos”, mais sim, ter o desprendimento e aceitar aquela ação mais eficaz, pois só assim serão alcançados resultados perseguidos.

Mas,  atenção:

Se sua organização está buscando firmar parcerias ou pretende buscar alianças estratégicas – sempre analise a proposta, e veja com quem você vai se aliar.

Infelizmente, existem aqueles parceiros ou aliados que devido entrarem com o apoio financeiro tomam conta do projeto ou da organização e passam a mandar e desmandar, muitas vezes “passando por cima” dos dirigentes da Organização, e não raro agem em total afronta ao que prevê Estatuto da Organização, e isso não pode acontecer, já que, acarretará serias consequências para a Organização e seus dirigentes.

A nossa dica é: fique fiel a sua causa e não caia em armadilhas ou artimanhas, já vi organizações ligadas a saúde que receberam ofertas de parceria por parte de empresas ligadas a bebidas alcóolicas, tal parceria se mostra totalmente equivocada e totalmente inviável já que os interesses se contrapõem.

Há também aquelas empresas que tão somente buscam melhorar a sua imagem perante a sociedade, e assim, procuram vincular-se a sua organização e sua causa.

Para finalizar deixo aqui a certeza de que as parcerias e alianças podem e devem ser firmadas, afinal quando nos unimos somos ainda mais fortes e como aqui também dito o fundamental é saber a quem e com quem a sua organização se aliará.

Sucesso a todos!

Dr. José Carlos Soares, Graduado em Direito pela Faculdade de Direito de Itu- e Pós-Graduado em Aspectos Sócio Econômicos da América Latina e o Mercosul pela UNISO – Universidade de Sorocaba. Advogado Militante há 28 anos, Especializado em Direito do Terceiro Setor. Ocupou o Cargo de Vice-Presidente da Comissão do Terceiro Setor da 24ª Subsecção da OAB de Sorocaba/SP. Ministra Cursos e Palestras sobre os Seguintes Temas: Captação de Recursos, Fundação e Legalização de ONG e OSC, Voluntariado, Elaboração de Projetos, Responsabilidade Social Empresarial, Gestão, Aspectos Trabalhistas para Terceiros Setor. Autor do Manual “Como Fundar Uma ONG Passo a Passo”. E-mail: terceirosetorlegal@gmail.com .

Crédito da Imagem:  truthseeker08 por Pixabay