Primeira edição reuniu diferentes agentes sociais e promoveu trocas de experiências, reflexões e criação de ações sobre temáticas para juventudes

Fonte: ITAÚ SOCIAL

A formação Juventudes em Curso: Trajetos e Afetos tem o objetivo de qualificar o debate sobre as temáticas das juventudes brasileiras periféricas, por meio da troca de experiências que identifiquem questões emergentes e potencializem práticas desenvolvidas nos territórios.

A etapa presencial, realizada na cidade de São Paulo entre os dias 11 e 19 de fevereiro, reuniu 33 participantes de todas as regiões do país. Selecionado dentre mais de 460 inscrições recebidas, o grupo é formado por representantes de organizações da sociedade civil e órgãos públicos, jovens ativistas e pesquisadores. A etapa a distância, por meio do Laboratório de Práticas, se encerra em agosto. Trata-se de uma proposta de fomento a iniciativas colaborativas e inovadoras formuladas pelos participantes.

O desenvolvimento da primeira edição combinou escutas realizadas com jovens, educadores, gestores de organizações sociais e pesquisadores que têm compromisso com o desenvolvimento integral de jovens; referenciais teóricos relevantes e experiências anteriores do Itaú Social no trabalho com juventudes. Esse percurso está compilado na publicação “Juventudes em Curso: Caderno de Inspirações Nº 1”, que apresenta as balizas da jornada formativa.

Numa parceria entre o Itaú Social e o Instituto Singularidades, a formação também busca contribuir para o aprimoramento de experiências dedicadas aos jovens, a fim de garantir o desenvolvimento pleno desse público e estimular ambiências democráticas em suas comunidades para a produção social, cultural e econômica dos grupos mais atingidos pelas desigualdades.

Para Fernanda Zanelli, especialista em projetos sociais do Itaú Social e organizadora do curso, “o processo de formação presencial dos cursistas se mostrou um momento rico de encontro e reflexão entre diferentes agentes sociais que atuam e produzem ações com juventudes. Ao longo da imersão, pudemos identificar como o percurso formativo e as temáticas trabalhadas dialogam com as diferentes realidades desses profissionais e contribuem para enriquecer as nossas percepções.  O Laboratório de Práticas surge como uma importante estratégia de fomento a uma rede de produção de conhecimento e de atuação direta com juventudes, que além de ir ao encontro da missão do Itaú Social, nos atualiza sobre temas e questões urgentes às múltiplas juventudes brasileiras“.

 

Dinâmica do curso
A etapa presencial foi dividida em cinco módulos realizados na capital paulista. Foram oferecidas dez bolsas para quem não residisse na cidade de São Paulo, com custeio do transporte de ida e volta, hospedagem e alimentação durante o curso. Para dez participantes residentes nas periferias de São Paulo e região metropolitana também foram disponibilizadas ajudas de custo para transporte público

Confira informações sobre os módulos da primeira edição:

 

1º módulo – Aula inaugural
A aula de inaugural, aberta ao público, reuniu cerca de 200 pessoas. A superintendente do Itaú Social, Angela Dannemann, e o diretor executivo do Instituto Singularidades, Miguel Thompson, abriram o evento. Em seguida, Christian Dunker, psicanalista e professor do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), realizou a palestra “Sociedade de Muros”. Ressaltando as especificidades brasileiras, a apresentação destacou os desafios que emergem para os jovens na sociedade contemporânea, bem como os fatores que os afetam e os conectam.

Na sequência, ocorreu a mesa  “Frestas, Bordas e Ocupações: Juventudes que desafiam os muros”, em que os jovens Bruno Souza, da Biblioteca Caminhos da Leitura, e Ingrid Soares, do Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso, relataram suas experiências, com mediação do Tony Marlon, do Historiorama. A aula inaugural foi encerrada com um debate.

 

2º módulo – Família e Territórios: o lugar de origem e a travessia
O segundo módulo discutiu a conexão entre família e território, os vínculos e rupturas dessa fase da vida e como a sensação de (des)pertencimento impacta as juventudes. Para explorar o assunto, a professora Stella Christina Schrijnemaekers, da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), colocou em debate o tema “Casas e territórios”. Já Cibele Lucena, do Coletivo Contrafilé, apresentou a cartografia como uma das formas de observar perspectivas, trajetórias e valores de cada território.

 

3º módulo – Os agenciamentos e os chamados
Para apresentar as diversas formas em que as juventudes se organizam e se mobilizam, bem como as mudanças no entendimento dos papéis da escola e do trabalho, o terceiro módulo contou com a presença do professor Alexandre Barbosa, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). A aula foi realizada na Biblioteca Comunitária Djeanne Firmino, no Campo Limpo, e contou com a participação da integrante do projeto, Alessandra Nunes, que falou sobre a criação e manutenção do espaço. Toni Santos, do Coletivo Coletores, mostrou como o ciberespaço, sobretudo as redes sociais, tem mudado e ampliado a visibilidade das temáticas juvenis, bem como as formas da juventude produzir e disseminar suas produções nos dias atuais.

 

4º módulo – As armadilhas do caminho
O módulo articulou questões pertinentes às violências – simbólicas e físicas. No campo da violência física, foram abordados o genocídio da juventude negra e a criminalização dos jovens na periferia, enquanto a violência simbólica abordou como esses temas são afetados pela brutalidade da sociedade. A professora Maria Lucia da Silva, do Instituto AMMA Psique e Negritude apresentou indicadores e pesquisas, além de comentar as tensões psíquicas envolvendo racismo, machismo, feminicídio, suicídio, homofobia e outros preconceitos. As professoras Miriam Abramovay e Beatriz Saks, da USP, também debateram as temáticas, ressaltando como a falta de investimento em educação e a criminalização afetam os jovens.

 

5º módulo – O mundo como espaço para pensar e produzir
O módulo estimulou o debate sobre as expressividades juvenis na cena contemporânea. Práticas culturais e educacionais, que permitem narrativas plurais de mundo, foram colocadas em pauta. O trabalho como espaço de expressão e produção jovem  também foi problematizado.

Na primeira etapa, a professora Renata Alencar, da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG), discutiu as práticas culturais e educacionais, assim como as estratégias de resistência à homogeneização. Na parte da tarde, em aula conduzida pela professora Jaqueline Santos, o grupo pôde discutir as principais mudanças no mundo do trabalho e seu reflexos nas novas trajetórias juvenis. João Souza e Tatiana dos Santos, do projeto Fa.vela, abordaram as possibilidades e questões acerca do empreendedorismo juvenil.

 

Imersão cultural
No sábado, 16 de fevereiro, ocorreu uma imersão cultural no MASP (Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand). Os cursistas foram incentivados a observar como o museu está organizado, e identificar se há representatividade nas obras do acervo e das exposições temporárias, e puderam refletir coletivamente sobre a percepção quanto à presença de jovens no ambiente.

 

Laboratório de Práticas
Além dos cinco módulos presenciais, o Juventudes em Curso também possui uma etapa facultativa, o Laboratório de Práticas. Integrado à proposta formativa do curso, o objetivo é promover um espaço que qualifique e potencialize ações sociais desenvolvidas pelos agentes territoriais, por meio do fomento à construção de práticas colaborativas e inovadoras formuladas pelos participantes. As ações devem ser dedicadas ao enfrentamento das questões levantadas nos encontros presenciais. Nesse sentido, as práticas reúnem diferentes organizações e territórios para pensar ações com juventudes, mesmo que venham a ser implementada em apenas uma localidade.

A partir de imersões e processos de cocriação de propostas durante a formação presencial, as seis práticas desenhadas pelos participantes permearam as temáticas de participação social e política, mundo do trabalho, medidas socioeducativas, letramentos e ações culturais desenvolvidas pelas juventudes. Os grupos também receberam orientações sobre a metodologia de elaboração de projetos e participaram de oficina de design thinking.

Desde março, os grupos de cada uma das práticas estão trabalhando no desenho e execução de suas metodologias de trabalho, em diálogo com suas organizações sociais de referência, num processo acompanhado tecnicamente pelo Itaú Social, por meio de tutoria e formação à distância.

Em agosto, os cursistas envolvidos no desenvolvimento das práticas se reunirão novamente na cidade de São Paulo para compartilhar o percurso e os resultados do processo de implementação das práticas.